Embalsamamento de palavras


Embalsamamento de palavras

Tomei uma folha baldia
 com rabiscos esquecidos
Do fundo da gaveta da minha escrivaninha
Olhei para ela nada dizia
Nada se lia
Naquelas linhas vagabundas
Não fecundas
De áridos versos

Melhor pensar em bundas
Loiras, mulatas, magras, carnudas
Vão me inspirar mais...
Mais do que estes pensamentos difusos
Do que todas estas palavras que não deram frutos
Assim não me servem para nada,
Tal como porcas sem parafusos.

Infelizmente nem todos os versos crescem e viram poemas
De alguns só resta a marca do grafite
Sem nada dizerem
Como múmias no deserto do sulfite
Eternamente a apodrecerem.

Lótus



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