A poesia esquecida


A poesia esquecida

Abandonara aquela poesia há uns anos,
Suas paredes esverdeadas de lodo apodreciam,
Tinha crescido muito mato em volta dela,
Havia resto de comida endurecida numa velha panela,
Que deixei sobre o fogão,
Usado para esquentar a marmita,
Durante a última vez em que trabalhei na sua construção.

Faltaram-me verbas (verbos) para construir a estrutura,
A poesia ficou incompleta,
Sem reboco e sem pintura!

Um dia resolvi reformar a poesia,
Carpi bem e limpei em volta dela,
E coloquei a mão na massa,
Reboquei a poesia com emoção,
Pintei as suas paredes de esperança,
Usei pontos e vírgulas,
Para firmar a estrutura,
E com verbo amor,
Gravei a minha assinatura,
Bem no telhado da poesia.

Lótus

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